Estudo do ICS revela que Cascais, Lisboa e Valongo lideram em práticas participativas. Iniciativas crescem, mas falta suporte legal e avaliação. Uma base de dados aberta será lançada em 2026.

Cascais, Lisboa e Valongo são os municípios com mais iniciativas de democracia participativa, como orçamentos participativos ou assembleias de jovens — consideradas inovações democráticas. A conclusão é de um estudo preliminar intitulado Inovações Democráticas em Portugal, que mostra que os municípios localizados no litoral e com maior densidade populacional são aqueles em que se encontram mais iniciativas deste tipo.

O relatório, coordenado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, é apresentado esta tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e tem apenas ainda resultados preliminares. O estudo, que identificou 323 inovações democráticas em 154 concelhos, só deverá ser conhecido no primeiro trimestre de 2026, detalha Roberto Falanga, coordenador do projecto. O objectivo é criar uma base de dados aberta e um mapa interactivo que permita identificar todas as iniciativas deste tipo e avaliar as suas trajectórias históricas e geográficas.

Ao PÚBLICO, Roberto Falanga assinala que uma das principais dificuldades deste trabalho foi o acesso à informação disponível sobre práticas participativas, sendo precisamente essa a lacuna que o projecto pretende resolver através da base de dados aberta. “A documentação é escassa, dispersa e pouco clara”, afirma.